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242 anos nas ruas de um Porto não muito Alegre

O nosso aniversário marca o encerramento de um ciclo para início de outro momento, o que da espaço para reflexões sobre como estamos e o que temos para comemorar ou evoluir. A capital dos gaúchos completa 242 anos tal como uma moeda de duas faces em uma peça só. A Porto Alegre arborizada está aqui, …

O nosso aniversário marca o encerramento de um ciclo para início de outro momento, o que da espaço para reflexões sobre como estamos e o que temos para comemorar ou evoluir. A capital dos gaúchos completa 242 anos tal como uma moeda de duas faces em uma peça só. A Porto Alegre arborizada está aqui, viva a cada quadra, repleta de folhas verdes que emolduram as calçadas. A Porto Alegre acolhedora, receptiva, permanece junto com quem mora ou morou aqui.

Mas, se Porto Alegre é agradável pelos extensos espaços verdes, o sistema de transporte público é caótico. São longas filas nas paradas, problemas de superlotação, atrasos, e uma visão ultrapassada e elitista do executivo municipal, que insiste, por exemplo, na teoria de que a retirada do ar-condicionado dos ônibus, para diminuir os custos das empresas e o impacto sobre a tarifa, é uma conquista. Se continuamos com um excelente índice de Desenvolvimento Humano frente a outras capitais brasileiras, presenciamos também hospitais superlotados, sem condições estruturais de atender uma demanda que só cresce. Se temos a visão do pôr do sol mais lindo acalentando nossa alma, vemos ruas repletas de lixo, praças mal cuidadas, vias com péssimas condições de trânsito, deixando nossa Porto Alegre tão longe da cidade mais humana que almejamos. Temos tanto e tão pouco…

Mas então, qual seria o melhor presente para nossa capital?

Que ela seja hoje e futuramente uma cidade que acrescente qualidade de vida no dia a dia das pessoas. Seja com um sistema de saúde eficiente e para todos ou voltando a ser referência no transporte público, como já fomos com a Carris. O presente bom para Porto Alegre é a garantia de uma cidade boa de se viver, de se locomover. É poder proporcionar às pessoas mais tempo com suas famílias, para que se dediquem ao que querem e gostam de fazer. A Porto Alegre bonita dos versos de Quintana continua sendo a cidade que abriga meus sonhos, mas precisa dar passos largos rumo ao desenvolvimento para resolver os grandes problemas urbanos.

Manuela D´Ávila, Deputada Federal

Publicado no Jornal Sul21 do dia 26-03-2014