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A SAÍDA É A CARRIS, por Raul Pont*

A licitação para o transporte público de Porto Alegre vive um falso impasse.

A licitação para o transporte público de Porto Alegre vive um falso impasse. Para burlar a decisão judicial que determinou o prazo de 60 dias para a prefeitura realizar o certame, as atuais concessionárias entraram com medidas protelatórias e deixaram deserta a primeira licitação. A EPTC e a prefeitura sinalizaram que a saída seria ampliar a concorrência para operadores de fora, inclusive empresas internacionais.

Será essa a única saída? Evidente que não. Se não há interessados privados para assumir através de licitação as bacias de transporte da Capital, a saída mais fácil, lógica e que daria outra qualidade de planejamento e operação para esse serviço é a Carris operar todo o sistema.

A Carris precisa retomar o caráter de excelência, que já alcançou nos anos 1990, com sua recuperação física e operacional. No último dia 4/7, sua direção, em entrevista à imprensa, admitiu abrir mão de linhas curtas e rentáveis e ficar com linhas longas e de menos usuários. Com esse raciocínio, realmente, é difícil recuperar a companhia e ampliar seu serviço.

Mas, neste momento de impasse, nada melhor do que dar esse grande passo para qualificar, racionalizar e dar efi- ciência ao transporte público de Porto Alegre.

Uma empresa que não vise ao lucro, que possa planejar toda a operação, ter agili- dade para atender sazonalidade, picos, sem os entraves de concessões privadas que impedem a ação comum ou cooperativa. Uma caixa de compensação de caráter e controle públicos que permita manter a tarifa social, a venda antecipada, entre outras medidas, é uma hipótese que o poder público tem que debater antes de saídas externas.

Estamos num outro momento no país. Certamente teríamos financiamento para a frota e expansão junto aos bancos públicos, que não havia no período neoliberal.

Por isso, este debate não pode ser sonegado da população da Capital. Já se iniciou na Câmara Municipal, esteve nas ruas em junho de 2013, precisa ser assumido também pela prefeitura.

Mais fácil do que licitações internacionais, a Carris, já pública, pode ser a alternativa e a referência de futuro para o transporte de Porto Alegre e exemplo para o país.

Publicado em ZH de 08-07-2014