artigos

O machismo salta aos olhos outra vez

As questões ligadas à mulher são sempre muito polêmicas.  Estatísticas como as divulgadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nos convidam a fazer ao exercício da inversão de papéis entre agredias e agressores. Nenhuma mulher merece ser desrespeitada em função do modo como se veste. E o homem sem camisa? É visto com naturalidade, …

As questões ligadas à mulher são sempre muito polêmicas.  Estatísticas como as divulgadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nos convidam a fazer ao exercício da inversão de papéis entre agredias e agressores. Nenhuma mulher merece ser desrespeitada em função do modo como se veste. E o homem sem camisa? É visto com naturalidade, certo? Por que, então, uma mulher com uma blusa justa ou um short também não o é.

O fato de mulheres dizerem que outras mulheres ‘merecem ser atacadas’ por conta de suas roupas revela a força da cultura machista na sociedade e que muitas mulheres ajudem a reproduzir.  Nossa sociedade naturaliza a violência e coloca a mulher como culpada. De uma forma geral, estamos vivendo uma completa inversão de valores: baleado porque andou na rua à noite, estuprada porque andou de saia curta, agredido porque é gay.  É preciso refletir sobre essa escalada da violência. Para fazer o estudo, os pesquisadores do Ipea tiveram acesso a dados que mostraramque mais de 500 mil pessoas por ano são vítimas de estupro no Brasil. Sofrem, inclusive, estupros coletivos e a polícia só toma conhecimento de 10% desses casos.  

Nossas ações precisam ser voltadas para trazer à tona esse problema que, na maioria das vezes, é escondido. A mulher precisa entender que não é culpada, ela é, independente de roupa ou atitude, sempre a vítima.  A causa do estupro é sempre o estuprador. É nosso papel ajudar a transformar essa cultura. Centenas de vítimas não prestam queixa à polícia por acreditar que possam ter feito algo de errado, algo para facilitar o ocorrido. Receiam ficar mal vistas pela sociedade.

Nós temos que ter uma ação proativa para combater o que a colega coordenadora da bancada feminina do PCdoB na Câmara, Jo Moraes, chama de “coisificação da mulher”. Temos que nos envolver em debates que tentem avaliar onde está o embrião do problema, ver o que está contribuindo para tamanha deformação das próprias mulheres em torno de si mesmas. Nem eu, nem você nem ninguém merece sofrer qualquer tipo de violência. Construir um mundo de igualdade e justiça depende de nós.