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Porto Alegre quer pedalar sem medo

No ranking da mobilidade urbana, Porto Alegre sempre fez feio. Ainda em 2010, entre nove principais capitais brasileira,  era a sétima em mobilidade urbana, com nota 3,5. O estímulo à redução do uso de carro como meio de transporte individual, promovendo melhorias no transporte coletivo e valorizando o uso de bicicletas, foram algumas das estratégias …

No ranking da mobilidade urbana, Porto Alegre sempre fez feio. Ainda em 2010, entre nove principais capitais brasileira,  era a sétima em mobilidade urbana, com nota 3,5. O estímulo à redução do uso de carro como meio de transporte individual, promovendo melhorias no transporte coletivo e valorizando o uso de bicicletas, foram algumas das estratégias que apontamos. Quatro anos se passaram e a questão literalmente não andou. Pedalar pelas ruas de Porto Alegre é um risco que pode resultar em tragédia, como presenciamos nos dois casos de adolescentes mortas recentemente. Ambas usavam a bicicleta para se locomover.

Apesar da previsão legal estabelecida pelo Plano Diretor Cicloviário Integrado, sancionado pelo governo municipal em 2009, as iniciativas de promoção do transporte cicloviário pouco contribuíram com quem quer usar a  bicicleta como meio alternativo de locomoção. A rede existente está voltada principalmente para o lazer. A questão das ciclovias novamente veio a tona com o atropelamento de um grupo de ciclistas, na Cidade Baixa, em 2011. Após o fato, a prefeitura intensificou a construção de ciclovias e ciclofaixas, mas de forma aleatória e desconectada.

A morte das duas universitárias, apesar da localização distinta, comprova que o público universitário é usuário da bicicleta e possui capacidade de fortalecer e estimular a cultura da bicicleta na cidade. Mas, para tanto, precisam ter o mínimo de segurança para pedalar. Ciclovias em bairros populares, instalação de bicicletários em locais de grande circulação, 20% do valor das multas de trânsito revertidas para ciclovias e ciclofaixas são assuntos batidos. No mínimo, precisam ser respeitados porque são lei.

Precisamos ir além. Quando falamos especificamente  em uma linha universitária de ciclovia, estamos defendendo a priorização da construção nas avenidas que ligam os campi das principais universidades da capital. Assim, não só estimularíamos o uso da bike, um dos objetivo do Plano de Diretor Cicloviário Integrado, mas contribuiríamos com a  redução de  deslocamentos articulada com o próprio desenvolvimento e organização da cidade. Tudo isso com segurança. Até quando aqueles que optam por um transporte alternativo em Poa terão que pedalar com medo?

Artigo publicado no jornal Sul 21